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N.º 46 | 13 de janeiro de 2014

ESTUDO "EDUCATION TO EMPLOYMENT: GETTING EUROPE'S YOUTH INTO WORK"
Divulgado o estudo realizado pela McKinsey Center for Government

O problema do desemprego entre os jovens na União Europeia não é novo. Nos últimos 20 anos, o desemprego dos jovens tem sido o dobro ou mesmo triplo da taxa de desemprego geral na Europa. Os acontecimentos dos últimos anos agravaram dramaticamente esta situação: 5,6 milhões de jovens estão desempregados em toda a Europa e um total de 7,5 milhões não estão nem no sistema de educação nem a trabalhar.

Paradoxalmente, enquanto que mais de metade dos jovens desempregados diz que não consegue encontrar emprego, as  empresas de toda a Europa insistem que é difícil encontrar jovens com as competências de que necessitam.
O estudo da McKinsey procurou compreender este paradoxo concentrando-se em quatro questões principais:
1. A dimensão do problema do desemprego jovem na Europa é uma consequência da falta de emprego, da falta de competências ou da falta de coordenação ?
2. Quais são os obstáculos que os jovens enfrentam no percurso entre a educação e o emprego?
3. Que grupos de jovens e de empregadores na Europa estão a encontrar melhores soluções?
4. O que pode ser feito para resolver o problema?

O estudo realizou um levantamento de 5.300 jovens, 2.600 empregadores, e 700 prestadores de pós-secundário de educação em 8 países que, juntos, representam cerca de 73% dos 5,6 milhões de jovens desempregados da Europa: França, Alemanha, Grécia, Itália, Portugal, Espanha, Suécia, e no Reino Unido. Examinaram igualmente mais de 100 programas em 25 países que são exemplos de empresas, governos, serviços de educação e organizações não governamentais relevantes para a Europa.

Especificamente no que diz respeito a Portugal, o estudo refere que: No decurso da recessão, Portugal sofreu uma queda da taxa de emprego global de quase 8 pontos percentuais e o desemprego dos jovens subiu para 37%. Além das condições económicas gerais, os problemas relativos ao “sistema de educação para o emprego” não ajudam: apenas 47% dos jovens acreditam que seus estudos pós-secundários melhoraram as suas perspetivas de emprego. Por outro lado, os empregadores não encontram as competências de que precisam: 30% referem que não preenchem as vagas porque não conseguem encontrar candidatos com as competências certas.

Alguns dos destaques do estudo para Portugal:

A acessibilidade é uma questão importante: 31% dos jovens não tem disponibilidade para estudar porque tem que trabalhar (o valor mais elevado dos países em análise); 38% dos jovens queria prosseguir nos estudos mas não tem disponibilidade financeira; 45 % dos jovens para prosseguir os estudos tem que deslocar-se para outra cidade que não a da sua residência.

As lacunas de informação são significativas: 86% dos alunos não recebeu informações suficientes sobre as oportunidades de trabalho antes de deixar a escola secundária.

A falta de competências é um problema grave: três em cada dez empregadores relatam que não preencheram vagas porque não conseguem encontrar candidatos com as competências adequadas – questão particularmente importante para as PME.

Os empregadores portugueses têm a menor comunicação com os prestadores de educação: só 33 % dos empregadores portugueses comunicam várias vezes por ano com o sistema de ensino, longe do Reino Unido (78%) ou da Alemanha (74%). Como resultado verifica-se que os empregadores e os prestadores de serviços de educação têm visões completamente diferentes sobre como os jovens devem ser preparados para o trabalho: 80% dos prestadores acreditam que os jovens estão adequadamente preparados para os cargos de nível de entrada, mas apenas 33 por cento dos empregadores concordam.

 

Consulte o estudo:"Education to Employment: Getting Europe’s Youth into Work"

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